<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629153995021450684</id><updated>2011-11-17T10:15:15.919-08:00</updated><title type='text'>Isabela Couto</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://isabelacouto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629153995021450684/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://isabelacouto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Isabela Couto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06812653641609230729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_TzHocgUwbq0/SB-mstgmJaI/AAAAAAAAAAw/8SmakYRPqRg/S220/Imagem+024.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>2</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629153995021450684.post-2928680096515941023</id><published>2008-12-31T04:30:00.000-08:00</published><updated>2008-12-31T04:34:44.977-08:00</updated><title type='text'>Feliz Ano Novo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;             Puxamos um Opala. Seguimos para os lados de São Conrado. Passamos várias casas que não             davam pé, ou tavam muito perto da rua ou tinham gente demais. Até que achamos o lugar             perfeito. Tinha na frente um jardim grande e a casa ficava lá no fundo, isolada. A gente             ouvia barulho de música de carnaval, mas poucas vozes cantando. Botamos as meias na cara.             Cortei com a tesoura os buracos dos olhos. Entramos pela porta principal.&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;           Eles estavam bebendo e dançando num salão quando viram a gente.&lt;br /&gt;          É um assalto, gritei bem alto, para abafar o som da vitrola. Se vocês ficarem quietos             ninguém se machuca. Você aí, apaga essa porra dessa vitrola!&lt;br /&gt;          Pereba e Zequinha foram procurar os empregados e vieram com três garções e duas             cozinheiras. Deita todo mundo, eu disse.&lt;br /&gt;          Contei. Eram vinte e cinco pessoas. Todos deitados em silêncio, quietos, como se não             estivessem sendo vistos nem vendo nada.&lt;br /&gt;          Tem mais alguém em casa?, eu perguntei.&lt;br /&gt;          Minha mãe. Ela está lá em cima no quarto. É uma senhora doente, disse uma mulher toda             enfeitada, de vestido longo vermelho. Devia ser a dona da casa.&lt;br /&gt;          Crianças?&lt;br /&gt;          Estão em Cabo Frio, com os tios.&lt;br /&gt;          Gonçalves, vai lá em cima com a gordinha e traz a mãe dela.&lt;br /&gt;          Gonçalves?, disse Pereba.&lt;br /&gt;          É você mesmo. Tu não sabe mais o teu nome, ô burro? Pereba pegou a mulher e subiu as             escadas.&lt;br /&gt;          Inocêncio, amarra os barbados.&lt;br /&gt;          Zequinha amarrou os caras usando cintos, fios de cortinas, fios de telefones, tudo que             encontrou.&lt;br /&gt;          Revistamos os sujeitos. Muito pouca grana. Os putos estavam cheios de cartões de crédito             e talões de cheques. Os relógios eram bons, de ouro e platina. Arrancamos as jóias das             mulheres. Um bocado de ouro e brilhante. Botamos tudo na saca.&lt;br /&gt;          Pereba desceu as escadas sozinho.&lt;br /&gt;          Cadê as mulheres?, eu disse.&lt;br /&gt;          Engrossaram e eu tive que botar respeito.&lt;br /&gt;          Subi. A gordinha estava na cama, as roupas rasgadas, a língua de fora. Mortinha. Pra que             ficou de flozô e não deu logo? O Pereba tava atrasado. Além de fudida, mal paga. Limpei             as jóias. A velha tava no corredor, caída no chão. Também tinha batido as botas. Toda             penteada, aquele cabelão armado, pintado de louro, de roupa nova, rosto encarquilhado,             esperando o ano novo, mas já tava mais pra lá do que pra cá. Acho que morreu de susto.             Arranquei os colares, broches e anéis. Tinha um anel que não saía. Com nojo, molhei de             saliva o dedo da velha, mas mesmo assim o anel não saía. Fiquei puto e dei uma dentada,             arrancando o dedo dela. Enfiei tudo dentro de uma fronha. O quarto da gordinha tinha as             paredes forradas de couro. A banheira era um buraco quadrado grande de mármore branco,             enfiado no chão. A parede toda de espelhos. Tudo perfumado. Voltei para o quarto,             empurrei a gordinha para o chão, arrumei a colcha de cetim da cama com cuidado, ela ficou             lisinha, brilhando. Tirei as calças e caguei em cima da colcha. Foi um alívio, muito             legal. Depois limpei o cu na colcha, botei as calças e desci.&lt;br /&gt;          Vamos comer, eu disse, botando a fronha dentro da saca. Os homens e mulheres no chão             estavam todos quietos e encagaçados, como carneirinhos. Para assustar ainda mais eu             disse, o puto que se mexer eu estouro os miolos.&lt;br /&gt;          Então, de repente, um deles disse, calmamente, não se irritem, levem o que quiserem não             faremos nada.&lt;br /&gt;          Fiquei olhando para ele. Usava um lenço de seda colorida em volta do pescoço.&lt;br /&gt;          Podem também comer e beber à vontade, ele disse.&lt;br /&gt;          Filha da puta. As bebidas, as comidas, as jóias, o dinheiro, tudo aquilo para eles era             migalha. Tinham&lt;br /&gt;muito mais no banco. Para eles, nós não passávamos de três moscas no             açucareiro.&lt;br /&gt;          Como é seu nome?&lt;br /&gt;          Maurício, ele disse.&lt;br /&gt;          Seu Maurício, o senhor quer se levantar, por favor?&lt;br /&gt;          Ele se levantou. Desamarrei os braços dele.&lt;br /&gt;          Muito obrigado, ele disse. Vê-se que o senhor é um homem educado, instruído. Os             senhores podem ir embora, que não daremos queixa à polícia. Ele disse isso olhando para             os outros, que estavam quietos apavorados no chão, e fazendo um gesto com as mãos             abertas, como quem diz, calma minha gente, já levei este bunda suja no papo.&lt;br /&gt;           Inocêncio, você já acabou de comer? Me traz uma perna de peru dessas aí. Em cima de             uma mesa tinha comida que dava para alimentar o presídio inteiro. Comi a perna de peru.             Apanhei a carabina doze e carreguei os dois canos.&lt;br /&gt;          Seu Maurício, quer fazer o favor de chegar perto da parede? Ele se encostou na parede.             Encostado não, não, uns dois metros de distância. Mais um pouquinho para cá. Aí.             Muito obrigado.&lt;br /&gt;          Atirei bem no meio do peito dele, esvaziando os dois canos, aquele tremendo trovão. O             impacto jogou o cara com força contra a parede. Ele foi escorregando lentamente e ficou             sentado no chão. No peito dele tinha um buraco que dava para colocar um panetone.&lt;br /&gt;          Viu, não grudou o cara na parede, porra nenhuma.&lt;br /&gt;          Tem que ser na madeira, numa porta. Parede não dá, Zequinha disse.&lt;br /&gt;          Os caras deitados no chão estavam de olhos fechados, nem se mexiam. Não se ouvia nada, a             não ser os arrotos do Pereba.&lt;br /&gt;          Você aí, levante-se, disse Zequinha. O sacana tinha escolhido um cara magrinho, de             cabelos compridos.&lt;br /&gt;          Por favor, o sujeito disse, bem baixinho. Fica de costas para a parede, disse Zequinha.&lt;br /&gt;           Carreguei os dois canos da doze. Atira você, o coice dela machucou o meu ombro. Apóia             bem a culatra senão ela te quebra a clavícula.&lt;br /&gt;          Vê como esse vai grudar. Zequinha atirou. O cara voou, os pés saíram do chão, foi             bonito, como se ele tivesse dado um salto para trás. Bateu com estrondo na porta e ficou             ali grudado. Foi pouco tempo, mas o corpo do cara ficou preso pelo chumbo grosso na             madeira.&lt;br /&gt;          Eu não disse? Zequinha esfregou ó ombro dolorido. Esse canhão é foda.&lt;br /&gt;          Não vais comer uma bacana destas?, perguntou Pereba.&lt;br /&gt;          Não estou a fim. Tenho nojo dessas mulheres. Tô cagando pra elas. Só como mulher que eu             gosto.&lt;br /&gt;          E você... Inocêncio?&lt;br /&gt;          Acho que vou papar aquela moreninha.&lt;br /&gt;          A garota tentou atrapalhar, mas Zequinha deu uns murros nos cornos dela, ela sossegou e             ficou quieta, de olhos abertos, olhando para o teto, enquanto era executada no sofá.&lt;br /&gt;          Vamos embora, eu disse. Enchemos toalhas e fronhas com comidas e objetos.&lt;br /&gt;          Muito obrigado pela cooperação de todos, eu disse. Ninguém respondeu.&lt;br /&gt;          Saímos. Entramos no Opala e voltamos para casa.&lt;br /&gt;          Disse para o Pereba, larga o rodante numa rua deserta de Botafogo, pega um táxi e volta.             Eu e Zequinha saltamos.&lt;br /&gt;          Este edifício está mesmo fudido, disse Zequinha, enquanto subíamos, com o material,             pelas escadas imundas e arrebentadas.&lt;br /&gt;          Fudido mas é Zona Sul, perto da praia. Tás querendo que eu vá morar em Vilópolis?&lt;br /&gt;          Chegamos lá em cima cansados. Botei as ferramentas no pacote, as jóias e o dinheiro na             saca e levei para o apartamento da preta velha.&lt;br /&gt;          Dona Candinha, eu disse, mostrando a saca, é coisa quente.&lt;br /&gt;          Pode deixar, meus filhos. Os homens aqui não vêm.&lt;br /&gt;          Subimos. Coloquei as garrafas e as comidas em cima de uma toalha no chão. Zequinha quis             beber e eu não deixei. Vamos esperar o Pereba.&lt;br /&gt;          Quando o Pereba chegou, eu enchi os copos e disse, que o próximo ano seja melhor. Feliz             Ano Novo.&lt;/span&gt;             &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Rubem Fonseca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629153995021450684-2928680096515941023?l=isabelacouto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://isabelacouto.blogspot.com/feeds/2928680096515941023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629153995021450684&amp;postID=2928680096515941023' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629153995021450684/posts/default/2928680096515941023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629153995021450684/posts/default/2928680096515941023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://isabelacouto.blogspot.com/2008/12/feliz-ano-novo.html' title='Feliz Ano Novo'/><author><name>Isabela Couto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06812653641609230729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_TzHocgUwbq0/SB-mstgmJaI/AAAAAAAAAAw/8SmakYRPqRg/S220/Imagem+024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6629153995021450684.post-2131345109488326546</id><published>2008-12-23T16:28:00.000-08:00</published><updated>2008-12-23T17:05:11.719-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tava olhando umas coisas minhas aqui e achei um poeminha.Acho que estava na primeira série. Era para escolher um animal e escrever, em versos, porque gostaria de ser como ele.  hahah Uma graça hahah&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;Queria ser um passarinho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;para poder assoviar e voar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;conhecer um monte de lugar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e nem passagem pagar&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6629153995021450684-2131345109488326546?l=isabelacouto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://isabelacouto.blogspot.com/feeds/2131345109488326546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6629153995021450684&amp;postID=2131345109488326546' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629153995021450684/posts/default/2131345109488326546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6629153995021450684/posts/default/2131345109488326546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://isabelacouto.blogspot.com/2008/12/tava-olhando-umas-coisas-minhas-aqui-e.html' title=''/><author><name>Isabela Couto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06812653641609230729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_TzHocgUwbq0/SB-mstgmJaI/AAAAAAAAAAw/8SmakYRPqRg/S220/Imagem+024.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
